Livre espiritualidade

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Todos sabem que não sou contra as religiões. Mesmo porque a grande maioria ainda necessita das instituições religiosas, por motivos diversos.

Hoje, desejo falar àqueles que, de uma forma ou de outra, têm encontrado dificuldade de se ligar (ou associar-se) a algum tipo de religião. Dirijo-me àqueles que encontram-se insatisfeitos com os modelos usuais de religiosidade.

O desenvolvimento da Proposta Espírito Livre vem de encontro ao anseio daqueles que sentem o natural desejo de estabelecer contato com as dimensões metafísicas, sem se submeter a nenhum tipo de dogma ou política religiosa. O Universalismo Livre busca, também, falar aos religiosos que desejam desenvolver uma compreensão não sectária (holística), fruto de uma visão que integra os fundamentos de todas as religiões. Assim sendo, tenho procurado sistematizar uma série de conceitos e práticas – numa linguagem atual -, buscando resgatar o significado original do Conhecimento professado pelos percurssores das antigas tradições, dentre eles: Lao Tse, Krishna, Buda, Jesus, Maomé.

Todos esses mestres, com o linguajar próprio da sua época, apresentaram o mesmo Conhecimento Universal. Acredito que os diferentes costumes, fruto de forças políticas e culturais sempre presentes ao longo de toda a história da humanidade, são responsáveis pelas infindáveis discórdias entre os religiosos e seguidores das ‘distintas’ correntes espirituais. Somado a isso, nos deparamos com as distintas interpretações (algumas muito interessantes) dos textos sagrados, que reforçam ainda mais as diferenças. Isso tem gerado, mundo afora, muita discórdia, muito sofrimento e – até mesmo – guerras insanas (fruto do fanatismo religioso).

Todos dizem que só existe um Deus. A Livre Espiritualidade surge para resgatar os fundamentos do Unitarismo, que abarca e unifica todas as escolas espirituais. Esta é uma antiga proposta, promovida de forma pioneira por Al-Hakim bi Amr Allah (sexto Califa do Império Fatimita, fundador do Drusismo), no Egito em 1017 d.C. É inspirado nesse ideal que tenho sistematizado algumas práticas para a reconexão consciente com a Suprema Inteligência Amorosa (se preferirem, Deus) que se revela como o Ser que Somos (o ‘Eu Sou’ de Moisés e Krishna, o Buda de Gautama, o Cristo de Jesus, o Ser de todos nós). De posse desse Conhecimento unificador, o interessado em assuntos e práticas metafísicas poderá dinamizar os dons espirituais latentes sem, necessariamente, se filiar a nenhuma religião ou instituição espiritual.

Na medida que nos imbuímos dos Princípios Universais, passamos a expressar uma religiosidade natural, que proporciona bem estar nas diferentes áreas da existência humana – pessoal, familiar, social, humanitária, planetária. Para o amante do Universalismo Livre todos os templos (principalmente os ambientes naturais) passam a ser espaços para a prática, para o contato com a autêntica dimensão da espiritualidade. Todos os ensinamentos e escolas espirituais passam a ser vias para a expressão da vontade una do Criador.

Amir El Aouar

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